"Com
sua periodicidade de quatro anos, a Copa do Mundo de Futebol mobiliza
milhões de pessoas. O que demonstra que, com ela, se toca algo
radicalmente humano e é preciso perguntar-se onde se encontra a base
deste poder." Este
é um trecho do artigo escrito, em 1985, pelo então Cardeal Joseph
Ratzinger, Arcebispo de Munique, intitulado "O Jogo e a vida: sobre a
Copa do Mundo".
No
texto, Joseph Ratzinger faz uma análise do futebol a partir da
expressão romana "panem et circenses", pão e circo, afirmando que o
fascínio do futebol está essencialmente em reunir esses dois aspectos
de forma muito convincente.
O
então Arcebispo de Munique fala da identificação que se cria entre os
espectadores e os jogadores: o êxito e o fracasso de cada um estão
cifrados no êxito e no fracasso do conjunto, e os jogadores passam a
ser símbolos da própria vida.
Todavia,
tudo isso pode ser pervertido por um espírito comercial, que submete
tudo à sombria seriedade do dinheiro – adverte Joseph Ratzinger. E o
jogo deixa de ser tal para se transformar em uma indústria que suscita
um mundo de aparências de terríveis dimensões.
"O
jogo, uma vida: se aprofundarmos, o fenômeno de um mundo entusiasmado
pelo futebol poderá nos oferecer mais do que um mero entretenimento" –
analisa.
Este artigo é parte do livro "Buscar o que está no alto", que pode ser consultado no portal www.humanitas.cl, da Pontifícia Universidade Católica do Chile. (BF)
















