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TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA - ANO A

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Neste domingo somos instigados a nos perguntar, como o povo de Israel sedento no deserto: “O Senhor está no meio de nós, ou não?” De fato, hoje, o Senhor nos convida a darmos um passo além em nossa vivência quaresmal: nós cremos realmente que Deus pode matar nossa sede? O Encontro de Jesus com a Samaritana nos faz pensar sobre nosso encontro com o Mestre, e o que desejamos dele... e o que Ele deseja de nós...“Senhor, dá-me dessa água” (Jo 4,15)

As leituras nos falam de sede. Chama a atenção a sede do povo de Israel, que no deserto clama misericórdia de Deus e chega a duvidar se o Senhor está com eles ou não. Também a Samaritana vai ao poço porque tem sede e até pede pra Jesus lhe dar água. 

Fico pensando na sede dos jovens... Quando passamos nas ruas e vemos um grupinho se drogando, ao invés de julgar, deveríamos nos perguntar: do que eles têm sede? Ao vermos as diversas tribos urbanas, com seus mais variados gostos no vestir-se e no transformar seus corpos, ao invés de condenar porque achamos estranho ou consideramos uma agressão, porque não perguntar-lhes o que eles querem com aquilo? Ao vermos tantos adolescentes e jovens passar noites em claro, prostituindo-se e “divertindo-se” do seu jeito, o que será que eles estão procurando? 

Eu vejo hoje uma juventude sedenta... Não nos deparamos com jovens que “não querem nada com nada”. Deparamo-nos com rapazes e moças que querem sim algo... Que buscam saciar sedes... E que talvez já tenham desistido de buscar nos poços certos a água boa porque, como no deserto do Sinai, os “Moiséises” de hoje (meu Deus, inventei um novo plural...) ainda estão duvidando de que são capazes de fazer brotar água da pedra e ficam a dizer: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!” (Ex 17, 4). 

E estes “Moiséises” somos nós, os cristãos... Os jovens Sentinelas da Manhã que, por causa da Palavra do Senhor, nos dispusemos a lançar as redes...

E você, caro jovem, tem sede de quê?

Olhamos agora para nós, os “de dentro” da Igreja...

Estamos refletindo neste tempo da quaresma sobre a nossa conversão! E ao fazermos isto, pensamos em nossos pecados. Quantas e quantas vezes olhamos para nós mesmos e só enxergamos o mal? Poderíamos, ao invés de nos julgarmos e condenarmos a nós mesmos, também nos perguntarmos: do que temos sede? Nossos pecados não são pecados apenas porque somos ruins, e somos a escória do universo, e tudo aquilo que nos vêm à mente quando ficamos a nos culpar... Os atos pecaminosos têm suas raízes em nossas sedes. E sede nunca é supérfluo – sede é sempre grave, é sempre urgente. Sede precisa ser saciada. Não se pode brincar com a sede... Por detrás de cada pecado está nossa condição humana a nos pedir algo: afeto, segurança, saciedade... As necessidades humanas são sempre necessidades. Não são nem boas e nem más. Má pode ser a maneira como as saciamos.

Na verdade, o problema está em saber que água vamos beber para nos saciarmos. Eu jamais mataria minha sede nas águas do Tietê (ou do Iguaçu, para os paranaenses...). Quero beber água mineral! Água boa da fonte limpa! Água poluída até pode matar a sede, mas traz a doença junto... Assim é o pecado. Até matamos a sede em um momentinho... Mas ele aos poucos nos vai roubando a vida. Rouba a nossa vida e a dos demais que são prejudicados com nossas maldades. 

O que você espera para sua vida? Quais são as sedes de teu coração? O que os teus pecados dizem a respeito das sedes de seu ser? Você vai ficar com qualquer água pra matar essa sede? Vai saciar-se nas águas poluídas deste mundo passageiro? Vai tentar saciar sua sede com dinheiro, pornografia, poderes e cargos, prostituição, ganância, fofocas e intrigas?

Quantas vezes achamos que essas águas matariam nossas sedes?  E ainda nos lamentamos, dizendo. “O Senhor está no meio de nós, ou não?” (Ex 17,7). E não é que Ele está? Ele está logo ali em frente, na pedra... No último lugar em que esperaríamos encontrar água boa... E ali, na pedra, com o poço de água viva dentro dEle, Ele mesmo nos surpreende e nos diz: “Dá-me de beber” (Jo 4,7).

“Dá-me de beber” (Jo 4,7)

“Dá-me de beber”??? Que você quer Jesus? Não deveria ser eu a lhe pedir de beber? Você não é Deus? Como pode me pedir a mim que lhe dê algo para beber?

Sim. Jesus pede de beber à Samaritana. Ele, a fonte de água boa, de uma vida boa, quer saciar sua sede com a pobre criatura.

Ele nos pede de beber... Surpreendentemente, Deus TAMBÉM TEM SEDE. Ele, que não precisaria de nada, quis precisar de você... Ele tem sede de você porque te ama. Tem sede de sua presença, de seu coração, de sua história. Deus tem sede de suas coisas... Deus tem sede de seus problemas... Deus tem sede da sua felicidade. Tem sede da sua sede. Deus tem sede até mesmo dos seus pecados, porque Ele não quer mais ver você saciar-se em água poluída. Deus não se contenta em nos ver saciando-nos no que não sacia. Ele tem sede de ser água viva pra nós!

“O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5)

Deus sabe que a única maneira de vencermos a maldade que impera em nossa sociedade é que Ele novamente seja o fundamento da vida humana. Isso porque Deus é Amor. Somente nele, jovem, você poderá saciar sua sede. Somente nele, que derrama seu Espírito sobre você, poderá haver felicidade plena. Deus vence o pecado pela graça! Não há como deixar de pecar sem saciar verdadeiramente nossas sedes da maneira como Jesus saciou as dele. E Ele as fez pelo amor. Ele é nossa Páscoa! Ele é nossa salvação! Ele é nossa liberdade!

E os jovens “de fora”? Esquecemos deles? Claro que não! Você, meu caro “Moisés”, é chamado a não condenar os jovens, mas ir ao encontro deles de coração aberto, como o Senhor se aproximou da Samaritana. Você é chamado a ter “sede” deles, como Deus tem. E ali, de onde parece que não pode brotar água, você é chamado a ser canal para que Deus derrame mais uma vez o Espírito Santo a saciar as sedes destes jovens. Somente assim eles poderão abandonar o pecado e encontrar a vida, saciando sua sede na água que jorra para a vida eterna!

Em Cristo!


PE. ALEXSANDER CORDEIRO LOPES
             Diretor Espiritual do Ministério Jovem da RCC Brasil