“TUDO ESTÁ CONSUMADO” (Jo 19,30)
Perplexidade: eis o sentimento que nos perpassa neste dia de silêncio... Olhamos para Ele, dependurado no madeiro, homem das dores, todo chagado e ficamos boquiabertos... O que provocou tal fato? Porque tudo isto? “A verdade é que ele tomava sobre si as nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, as nossas dores.” (Is 53,4).
Tudo isso ocorreu por causa do pecado. E não pensemos que Deus quis castigar nele as culpas que eram nossas. NÃO! Não coloquemos a culpa da cruz no Pai. Ela não foi desejo do Pai. Nem Jesus a desejou, pois Ele pediu insistentemente que esse cálice fosse afastado dele. Não foi vontade de Jesus, nem do Pai.
A CRUZ É UMA INVENÇÃO NOSSA! Nós a produzimos todos os dias... Ela é nossa! Nós gostamos de ver a cruz! E Ele assumiu o que é nosso! Judas com sua ambição... Pedro com seu medo... Os Sumos-Sacerdotes, fariseus, mestres da lei e saduceus com sua inveja e medo de perder o poder... Pilatos e o Império Romano com seu descaso diante da vida humana... Os apóstolos e demais discípulos com o medo e omissão... O povo com sua ilusão e falta de visão... Todos: cada um com seus pecadinhos. Isso mesmo! Os pecadinhos do dia-a-dia! Aqueles que a gente costuma ignorar pensando que são inofensivos... Foram estes pecadinhos somados que geraram o horror da Cruz. Estes pecadinhos são nossos! Nós, em nosso dia-a-dia continuamos a fazê-los sem nos dar conta. Sem achar que são sérios... Não damos a devida importância ao pecado e nos esquecemos da força que ele possui. Fazemo-nos solidários no erro e, juntos, todos nós, humanidade de todos os tempos, continuamos a produzir a cruz. Nós a produzimos no sofrimento que continua a imperar no mundo. Vamos contabilizar? De todas as lágrimas que rolam na Terra, quantas são por motivos de doenças naturais, ou catástrofes acidentais, das quais não podemos ter o controle? E quantas rolam nos olhares (nossos e dos nossos semelhantes) por causa da maldade, do egoísmo, da mentira, da inveja, da ganância, da sede de poder? SIM!!! A CRUZ É NOSSA!!! NÓS CONTINUAMOS A PRODUZI-LA! EM NOSSO DIA-A-DIA! E ELE ASSUMIU O QUE É NOSSO! DEUS NÃO A PRODUZIU, NEM A QUIS, MAS TOMOU SOBRE SEUS OMBROS TODO O SOFRIMENTO CAUSADO PELO PECAR. SOFREU AS CONSEQÜÊNCIAS DOS NOSSOS DESMANDOS E ASSUMIU O NOSSO LUGAR. NOS SALVOU POR SEU AMOR...
“Na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.” (Hb 5,9)
Ele assumiu o que é nosso, mas não reclamou. Não se revoltou. “Foi maltratado e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.” (Is 53,7). Ele, que em sua vida havia escolhido amar, não desistiu nem mesmo quando chegou sua hora. Ele, que havia pregado o Reino, quis ir até o fim em sua opção. Morreu do mesmo jeito que viveu. Morreu pela causa que lutou. E foi até o fim por amor. E o amor tudo vence! O amor destrói o pecado! Ele, o autor da vida, acolheu a morte e o pecado em si mesmo. Naquele lenho havia o pior e o melhor da humanidade: o nosso pior ódio, desprezo e maldade; o melhor amor do Cristo, que aceita o que lhe impusemos, mas decididamente não desiste do amor. E o amor engoliu o ódio... Se a cruz é conseqüência do pecado, agora tornou-se causa da salvação eterna para todos. “CAI O INIMIGO NO LAÇO DE SUA PRÓPRIA INVENÇÃO!” (Hino do Ofício das Leituras). Se o pecado gerou a cruz, o amor com que o Cristo a abraçou venceu o pecado e desarmou sua força. NOS SALVOU PELA SUA SOLIDARIEDADE
“Meu Deus, porque me abandonaste?” (Mc 15,34)
Ao assumir a cruz com coragem, Deus se fez solidário com todos os que choram. Assumiu para si a dor dos crucificados de ontem e de hoje. Jesus revela que Deus está presente em nosso mundo e é solidário conosco em nossos sofrimentos. “MEU DEUS, PORQUE ME ABANDONASTE?” Ele sentiu o abandono, o sofrimento, a solidão como tantos o sentem em nosso mundo. Um grito que nos assusta... Ao mesmo tempo, no momento de extremo sofrimento, Deus penetra no mais profundo da história de dor da humanidade e se faz presente em nossos sofrimentos. É como se o Pai dissesse: Abandonei-te por um breve instante, para que te tornasses o irmão dos homens desamparados e para que, em tua comunhão, nada mais pudesse separar qualquer pessoa de nosso amor. Não te abandonei eternamente, mas estive contigo em teu coração. E assim, mesmo que Deus pareça oculto a nós, está muito próximo de nós, em nossa mais profunda dor, por meio de Jesus Cristo. Ele é o Deus que assumiu em si nossa mais profunda dor, nosso mais profundo sentimento de abandono e solidão. “Um Deus apaixonado morreu Crucificado!” (Pe. Zezinho) “Tudo está consumado” (Jo19,30)
Deus nos salvou de modo surpreendente! Venceu o pecado na sua mais cruel criação! Venceu o desamor não pelo poder, não pelo mando, mas pela caridade levada até às últimas conseqüências. Eis o nosso Deus: um Deus apaixonado! Um Deus louco de amor! Um Deus que suporta tudo, mas não nos deixa de amar! Um Deus que, em si mesmo, destruiu a causa de nossa infelicidade e nos libertou da escravidão que nos oprimia. Um Deus louco! Mas louco de Amor, que não se conforma com a dor, mas a vence pelo amor! Neste Deus podemos confiar! Entreguemos toda humanidade a Ele em nossa Oração Universal e adoremos o Madeiro do qual pendeu nossa Salvação! Pe. Alexssander Cordeiro Assessor espiritual do Minsitério Jovem da RCC Brasil

















