or: Macrina Acosta
A dependência emocional é a necessidade afetiva extrema que uma pessoa
sente por outra. Não está baseada na sucessão destas relações, mas na
personalidade, ou seja, a pessoa é de caráter dependente. Quando está
sozinha, sua patologia provoca que procure outra pessoa que a
compreenda e a ame.
Segundo o doutor Carlos Llano, filósofo do
século XXI, duas características condicionam a possibilidade de ter um
caráter sólido: a humildade e a castidade. Se estas qualidades forem
deixadas de lado, a pessoa será medíocre, insignificante. Assim
acontece porque a humildade e a pureza são as bases do caráter, sendo
uma espiritual e a outra corporal.
Entre as pessoas dependentes
emocionalmente, existem os casos patológicos e os casos padrões. Estas
duas categorias devem-se a que a dependência emocional é um processo
contínuo que começa com a normalidade e termina com a patologia, isto
é, existem diferentes níveis de gravidade.
Nas dependências mais
leves, tipo padrão, encontraremos somente algumas destas
características. Aqui estão classificadas, entre outras, determinadas
pessoas que foram vítimas de violência doméstica.
Nas relações
interpessoais, há uma tendência à exclusividade, por exemplo, nas
relações de amizade. A pessoa fica mais à vontade falando com um único
amigo do que a um grupo numeroso, no qual não tem uma resposta afetiva
necessária. Esta exclusividade, dentro das relações de casal, dá a
entender que, mais do que carinho, existe uma necessidade de companhia
e implica uma certa falta de maturidade pessoal. Uma pessoa se torna o
centro existencial do indivíduo e todas as outras realidades ficam de
fora.
Estes indivíduos precisam de uma comunicação constante com
a pessoa da qual dependem. Isto se traduz em contínuas ligações
telefônicas, mensagens no correio de voz, apego excessivo, desejo de
compartilhar com ela qualquer atividade.
Existe muita ilusão no
princípio de um relacionamento ou quando se conhece uma pessoa
interessante. Esta ilusão tem muito de auto-engano. Também existe a
subordinação nas relações de casal, como um meio para preservar a
relação de qualquer maneira. Os relacionamentos dos dependentes
emocionais são marcadamente desequilibrados. Um dos componentes só se
preocupa por seu bem-estar, por fazer o que seu parceiro desejar, de
magnificar e louvar tudo o que faz.
O narcisismo destas pessoas
é a contrapartida da baixa auto-estima dos dependentes emocionais, por
isso se produz esta idealização e este fascínio.
As relações de
casal atenuam sua necessidade, mas continuam sem ser felizes e nem
esperam sê-lo porque sua existência é uma sucessão de desenganos e não
têm o componente essencial do bem-estar: o amor próprio ordenado, o
querer bem a si mesmos. Vivem em um contínuo pânico diante da possível
ruptura e existe a possibilidade de padecer transtornos mentais, se
isso acontecer.
Esta tormenta emocional diminui milagrosamente
quando aparece outra pessoa que cubra as necessidades afetivas do
dependente e é muito freqüente que a ruptura se produza quando já se
tem outra relação. Quando isso acontece, o centro da existência passa a
ser a nova pessoa. A diferença com pessoas normais é que estas costumam
guardar um período que poderíamos chamar de “luto”, após uma separação
amorosa, período no qual não se tem muito ânimo de procurar outra
pessoa porque a anterior ainda ocupa um lugar privilegiado.
Os
dependentes dominantes se caracterizam por ter relações de dominação em
lugar de submissão, sem por isso deixar de sentir dependência de seu
parceiro/a. Na dependência emocional normal que as relações de casal se
caracterizavam pela submissão e pela idealização. No caso da
dependência dominante, simultaneamente com a necessidade afetiva, surge
um sentimento de hostilidade, que pode ser interpretada como uma
espécie de vingança pelas carências sofridas, que certas pessoas com
uma auto-estima mais sólida podem se permitir o luxo de mostrar.
Normalmente são os homens, e isto tem possívelmente implicações tanto
biológicas como culturais, porque eles sofrem pressões sociais para
adotar posições de força e competitividade, além de certa facilidade
para o desligamento afetivo das demais pessoas.
Atrás desta
posição de superioridade, esconde-se uma profunda necessidade e
controle do outro, que querem sempre consigo, de modo exclusivo. Nestes
tipos de dependências são muito comuns os ciúmes, inclusive os
patológicos, que escondem a necessidade e o sentimento de posse que
sentem pelo parceiro/a.
Com esta atitude de domínio, obtêm o
mesmo que deseja o dependente emocional padrão, ou seja, a presença
contínua do companheiro/a e, além disso, satisfazem outra tendência
mais hostil e dominante, saciando assim seu ego e rancor pelas pessoas.
Um
procedimento que se pode utilizar para confirmar a presença da
dependência emocional é propor um tempo de separação ou de ausência de
contato com o parceiro/a. Se a hostilidade, dominação e desprezo são
puros, agüentarão perfeitamente este período, porque realmente não têm
sentimentos positivos para com a outra pessoa; se existir dependência,
a chamarão com qualquer desculpa pela necessidade imperiosa que têm.
Mas,
com certeza, este fenômeno se revela e também chega a ser reconhecido
pelo que o padece quando acontecer uma separação. Como é fácil
imaginar, as separações são freqüentes neste tipo de relações
possessivas porque a outra pessoa se cansa das críticas, da
hostilidade, do desprezo, de sempre fazer o que o dominante quer ou de
observar como nega, tanto para si mesmo como para os outros, qualquer
sentimento positivo para o parceiro/a. Quando acontece a separação, o
dependente dominante pode reagir exatamente igual a qualquer outro
dependente emocional: entra em uma profunda depressão, suplica a
sua/seu ex-companheira/o que volte, promete que vai mudar e reconhece
como se comportou mal.
Um amor sadio tem suas áreas de autonomia.
















