"Não julgueis, e não serei julgados. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos Por que olhas a palha que está no olho do seu irmão e não vês a trave que está no teu? " (Mt 7, 13)
A pessoa adulta, madura, elabora um mecanismo "quase automático" de
auto avaliação e de crítica sobre os fatos e sobre os outros, porque
suspeita que ele como os outros pode errar. Esta atitude fundamenta
se na sincera e cordial aceitação das limitações e fraquezas, origem de
todos os erros.
Contrariamente, é próprio da criança aceitar simplesmente,
ingenuamente, sem crítica. O adolescente critica e muito (sobretudo o
adulto), porém não suspeita, nem lhe interessa saber se está errado.
Poderíamos afirmar que o adolescente critica "por esporte"... Mesmo
assim, vai formando seu senso crítico-objetivo, se tiver um
acompanhamento adequado.
A finalidade da crítica é a análise atenta e, quanto possível,
objetiva, do modo de agir das pessoas e do acontecer na sociedade. Isto
supõe um processo de identificação de causas, de avaliação de situações
e comportamentos e da procura de novas soluções: tudo se dirige à
formulação de uma verdade.
O primeiro sinal, início do processo de amadurecimento pessoal, é o
começo da auto-reflexão, da auto análise e da autocrítica. Esta atitude
é gerada pela consciência de nossa possibilidade de errar e da sincera
aceitação da critica que os outros fazem de nós.
Esta atitude, quando habitual, é uma condição realmente eficiente e confiável para:
• o diálogo construtivo, no respeito consciente da opinião alheia.
• crítica objetiva e construtiva do ser e agir das outras pessoas.
• análise e avaliação objetiva dos fatos e acontecimentos.
Porém, para que a crítica seja objetiva e construtiva, deverá respeitar duas condições imprescindíveis.
Em primeiro lugar, um reconhecimento sincero dos aspectos positivos da
pessoa ou do fato em avaliação. Sempre existem aspectos positivos. Não
descobri los é sinal de imaturidade. Quem não os descobre ou não os
quer reconhecer não está preparado para uma crítica madura.
Uma segunda condição: não julgar as intenções (evitando o mecanismo de
projeção das próprias). O terreno da intencionalidade é o mais oculto e
intimo do ser humano. Estamos sempre correndo o risco de errar no nosso
julgamento a respeito dos outros.
Inclusive porque nem nós mesmos, em
certas ocasiões concretas, estamos conscientes do "porquê" motivador do
nosso agir... (Quem de nós ainda não disse: porque fiz isso... ?)
Consequentemente, se nós mesmos desconhecemos nossas motivações mais
ocultas, seria justo nos conceder o direito de interpretar e julgar o
outro ?
Podemos afirmar que a característica de uma crítica ou autocrítica
madura é o dinamismo e o entusiasmo para melhorar e crescer: o otimismo
construtivo e criador. Assim, tal tipo de crítica é sempre um estimulo
para as pessoas maduras.
Se eu "afundo", se me "magôo" em excesso, se fico "ferido" quando me criticam, certamente será:
• ou porque psicologicamente não sou maduro.
• ou porque a crítica não foi objetiva e construtiva.
Isto sempre acontece quando interpretamos as intenções dos outros ou os outros interpretam as nossas.
Observações:
Refletir como tem sido as críticas que tenho feito das outras pessoas e
situações de vida: são realmente objetivas, ou são uma projeção da
minha própria maneira de ser, pensar e/ou sentir ? Vivo na dependência
do que pensam e acham de mim ? Aceito serenamente a minha realidade
pessoal ? O meu positivo, minhas limitações e erros, minhas qualidades
e virtudes ?
















