"As raposas tem covas, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. " (Lc 9, 58)
O adulto maduro tem a capacidade de adaptar se, criticamente, às
diversas circunstancias da vida. A criança não apresenta grande
capacidade de adaptação, é um ser que é indefeso. No caso da crianças
as circunstâncias, o ambiente devem adaptar-se a ela. O adolescente é
muito instável: apresenta um extraordinária capacidade de se adaptar às
diversas circunstancias da vida e à diferentes pessoas, porém muda,
intempestivamente, sem um motivo objetivo e suficiente.
A adaptação da pessoa madura e psicologicamente adulta constitui se num
hábito expontâneo de flexibilidade e sensibilização, em face às
exigências, apelos e expectativas das pessoas e situações com as quais
convive.
Esta capacidade (ao menos quando exige uma capacidade ou
condicionamento do tipo físico) vai se perdendo com os anos, porém não
necessariamente a capacidade de compreensão, que se constitui no
fundamento essencial da adaptação ao meio ambiente.
A capacidade de adaptação ao mundo em que vivemos, quando crítica e
madura, parte do culto à verdade, esteja aonde estiver e seja proposta
por que for. A pessoa madura está disposta a aceitar os valores
tradicionais e, ao mesmo tempo, renovar se com as nova idéias, na
medida em que forem uma resposta mais adequada, atualizada e vital para
o homem e a sociedade moderna.
Relacionada diretamente com o problema da adaptação, situa se a questão
da escolha do tipo de trabalho, carreira e profissão que permita a
realização pessoal. O trabalho nos permite satisfazer convenientemente
as necessidades fundamentais e as necessidades psicossociais, que
tornam mais satisfatória e gratificante a atividade humana.
Fruto dessa realização pessoal será uma adaptação mais perfeita e um
ajustamento pessoal mais compensador. Muitos dos desajustamentos de
personalidade são devidos à falta de ajustamento ocupacional e
vocacional. Algumas considerações sobre capacidade de adaptação:
• A adaptação prévia e fundamental é a aceitação cordial e funcional
da própria realidade individual. Não podemos adaptar nos ao meio
ambiente sem aprender a conviver, consciente e serenamente com nós
mesmos.
• É bem mais fácil "a técnica" de ganhar amigos e conviver
pacificamente com os outros, do que aprender a conviver com o conflito.
Uma adaptação madura e adulta exigirá saber administrar os conflitos, e
não apenas evitá los ou eliminá los.
• Para amadurecer é preciso focalizar o triunfo. Se me sinto
frustrado quando não sou louvado ou elogiado, estou caindo no
infantilismo, porque não confio na minha auto crítica. Se não sei
elogiar, nem louvar, somente criticar, estou mostrando imaturidade
(inveja, ciúme...). Certamente não podemos fazer consistir o êxito em
que tudo seja triunfo, que tudo saia bem, que todos nos felicitem. Se o
êxito é para nós um estímulo, o fracasso não pode se tornar uma ocasião
para "introvertermo nos".
• Sempre existe no homem a possibilidade de mudar e de crescer. É
isso que nos faz sentir vivos. O homem que não se concientiza desta
dinâmica existencial, e, por comodismo, medo ou teimosia, rejeita toda
possibilidade de mudar, submerge rapidamente num processo de
empobrecimento e apodrecimento do ser integral.
• O homem trabalha para viver, para satisfazer sua necessidades
fundamentais. Mas também é verdade que existem aspectos psicossociais
importantíssimos que motivam o trabalho, que determinam uma opção, que
estimulam o esforço pessoal, que definem e sintetizam no indivíduo
trabalho e vida, profissão e vocação, esforço e alegria, facilitando a
adaptação pessoal ao mundo do trabalho.
• O maior sinal de maturidade humana é a consciência de que chegará
a hora em que devemos ser substituídos, (esta postura exige de nós uma
atitude honesta, humilde e sincera) evidência dolorosa aceita com
alegria sincera desejando que aquele venha depois de nós continue nossa
história com maior eficiência e eficácia que nós mesmos, desejando
cordialmente o seu triunfo.
Observação:
Refletir em como tenho me comportado diante do sucesso e do fracasso.
Considerando que somos seres livres e inacabados, como tenho reagido
diante das possibilidades de mudança e crescimento? Qual o sentido da
minha atividade, ocupação, carreira, motivação vocacional? Tenho
procurado enxergar o meu "tempo" em cada atividade que faço, procurando
passar ao meu substituto "a tocha acesa" ?

















