Texto Publicado na Revista RENOVAÇÃO
Autor: Fernando Nascimento
Estamos nos aproximando do Natal do Senhor de 2008! Como em todos os
demais anos, o mercado já está alvoroçado, a mídia já nos apresenta
seus “jingles”, as casas se encheram de luzes e as cores vermelho,
verde e branco começam a prevalecer sobre as demais. Papai Noel visitou
nossas escolas, creches, hospitais e shoppings e os presentes,cobiçados
com mais ansiedade, já foram entregues...O que o homem batizado no
Espírito Santo tem a dizer sobre o natal quando a Cultura Global vem
esvaziando o maior acontecimento da História da Humanidade?
Quando os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no dia de Pentecostes,
Pedro, movido pelo Poder de Deus, escancarou as portas do Cenáculo e
fez um anúncio, o primeiro anúncio ou Kerigma: “Que toda a casa de
Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós
crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo”- Atos 2, 36. Pedro
anunciou que aquele Jesus, nascido da Virgem Maria, não era “um
qualquer”, mas era o Filho do próprio Deus, o Cristo!
É evidente que a cultura global ou cultura de morte (segundo as
palavras do saudoso Papa João Paulo II) faz todo o esforço para anular,
abafar o sentido profundo e libertador deste nascimento de uma
criancinha, na cidade de Belém, na Judéia, pois este Jesus é Senhor e
Cristo! Seu nascimento rasga o véu do pecado, destrói a morte –
artífice dessa cultura – e reconduz a Humanidade ao “Jardim do Éden”,
reconduz o homem à intimidade de Deus. Há um “ser pervertido e
pervertedor”, denunciado por Jesus como homicida, pecador desde o
princípio, que é o príncipe deste mundo, príncipe desta cultura;
esvaziar o sentido salvífico do Natal, anular e pôr no esquecimento a
Salvação com futilidades, máscaras, consumismo e lendas é seu
propósito; disseminar o pecado, o ódio e a miséria e fazer do natal
esta data cheia de hipocrisias e filantropias é o seu modo astuto de
agir, privando a humanidade de apropriar-se da Salvação que vem do
Cristo.
O Homem Batizado no Espírito Santo,neste ano novo que se inaugura, tem
a dizer que “com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu
filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida
Eterna. Pois Deus não enviou seu Filho ao mundo para condená-lo, mas
para que o mundo seja salvo por ele”- Jo 3, 16-17. A Experiência do
Poder de Deus, que fazemos em nossos grupos de oração, deve nos
impelir, se autêntica, a proclamar o Natal do Senhor como destruição da
Morte e de sua cultura devastadora, estabelecendo a Cultura de
Pentecostes, a cultura dos homens e mulheres que receberam o poder de
tornarem-se filhos de Deus; homens e mulheres que não nasceram do
sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de
Deus (cf. Jô 1, 12-13)! O natal da Cultura de Pentecostes é um dia de
Libertação, um dia de esperança escatológica (pois a trombeta soará,
rasgar-se-ão os céus o filho de Deus pisará outra vez o nosso chão); um
dia de Ação de Graças, de experiência profunda do amor infinito de Deus!
A Cultura de Pentecostes começa conosco, começa em nós, nas nossas
casas, nas nossas comunidades paroquiais, nos nossos grupos de oração,
nos nossos ministérios! Oremos uns pelos outros e peçamos o
derramamento poderoso do Espírito sobre nós e sobre a Humanidade.Que
neste tempo de Natal, possamos permutar a Cultura da Morte, onde este
mesmo acontecimento é vazio, pela Cultura de Pentecostes, em que este
mesmo acontecimento torna-se a Revelação de Deus ao homem!
















