Marcos Volcan conheceu a Renovação Carismática Católica na infância. Desde a juventude, ele tem participado ativamente da vida do movimento. Em 2005, Marcos assumiu a presidência da RCC. O período de coordenação terminaria este ano, mas na última reunião do Conselho Nacional, no mês de setembro, em Aparecida, ele foi reeleito presidente por mais quatro anos. Nesta entrevista, Marcos nos fala sobre a experiência de ter coordenado um movimento no qual participam milhões de pessoas, e sobre as perspectivas para os próximos anos.
1. Como foi a experiência de ter presidido o Conselho Nacional da RCC?
Como membro da RCC, antes mesmo de ser integrante do Conselho Nacional,
sempre tive um profundo respeito por esta instância de nosso movimento.
Assim, diante da grande responsabilidade deste chamado, inicialmente
passei pela sensação de surpresa e certo temor, mas também me senti
confiante, pois na Renovação Carismática, aprendemos que Deus, quando
nos escolhe para uma missão, nos oferece as condições para que possamos
desempenhá-la.
Procurei nortear meus passos, tendo como princípio, fazer a vontade de
Deus, que se expressava, especialmente, através dos direcionamentos
advindos do Conselho Nacional.
Foi um período intenso, pois temos que representar a RCC em diversas
reuniões, encontros e congressos, no Brasil e fora dele; visitar as
coordenações estaduais, acompanhar e desenvolver diversos projetos.
Tive a oportunidade de colocar a serviço tudo o que tinha aprendido em
outras atividades de coordenação, mas, certamente, ao término desse
período, em tudo percebo a Providência Divina e vejo que recebi muito
mais do que pude dar. Sinto-me muito honrado em ter presidido este
respeitado Conselho da RCC.
2. Que balanço você faz desse período?
Hoje estamos colhendo muitos frutos que outros irmãos semearam.
Destacaria, entretanto, que, nesse período, procuramos ampliar,
especialmente, nossa rede de comunicação, produzir materiais e cursos
de formação, diversificar nossas atividades missionárias, dentro e fora
do Brasil. Houve reorganização dos trabalhos do Escritório Nacional,
temos hoje uma Associação, Editora, Portal, programas na TV. Diversas
iniciativas que foram criadas para que a RCC possa melhor auxiliar as
coordenações estaduais e diocesanas, bem como seus membros como um
todo. A participação das lideranças nos Encontros Nacionais de Formação
para as coordenações aumentou significativamente, sendo isto muito
importante, pois a RCC deve ter o cuidado de formar adequadamente seus
membros.
Começamos alguns trabalhos que precisam continuar e temos muitos
desafios, pois num país tão grande e diversificado como o nosso
precisamos proporcionar condições e estruturas de trabalho - não só as
já citadas - mas também outras, para que as coordenações estaduais e
diocesanas desenvolvam os meios para que a RCC possa crescer como
movimento eclesial. Isto demanda recursos humanos e financeiros.
Louvamos a Deus porque muitas pessoas têm ajudado a RCC para que seus
projetos se concretizem. Alguns desses irmãos e irmãs ocupam
coordenações e são conhecidos na RCC, mas os demais, a grande maioria,
são pessoas anônimas: voluntários, colaboradores, trabalham e se doam
caridosamente. Mesmo aqueles que são funcionários, ajudam mais por
generosidade do que por salário. Destacaria este aspecto como muito
importante.
Temos muitos desafios e a superação depende de que a RCC, como um todo,
os perceba e enfrente. Isto envolve esforço humano, mas também é
preciso viver sob a graça de Deus, procurando fazer sua vontade,
escutando o Senhor, em oração constante. Neste sentido, um desafio é o
de nos mantermos fiéis ao chamado de Deus e de não vivermos nossa
identidade carismática de forma superficial. Nossos membros e, de forma
especial, nossas lideranças, devem primar pela “vida no Espírito”. Eis
um desafio permanente!
3. Como você avalia hoje a RCC no Brasil?
Não e fácil responder a esta pergunta, pois podemos cair num erro de
olharmos somente para os problemas. Nesta entrevista focarei a
realidade do Grupo de Oração.
Recentemente, fizemos um levantamento quantitativo da RCC do Brasil, os
resultados confirmaram uma estimativa que já tínhamos sobre a
existência de cerca de 20 mil Grupos de Oração, distribuídos nas 27
unidades da federação.
Como observou o Conselho Nacional, constatamos, com alegria, a expansão
e fortalecimento de muitos Grupos de Oração, com exercício maduro de
atividades ministeriais e efetiva pertença eclesial, mas observamos
também que houve, em muitos Grupos de Oração, esfriamento e perda da
identidade carismática.
Somos um movimento que expressa vivamente seu amor ao Espírito Santo, e
que tem conseguido, ao longo de sua existência, levar milhões de
pessoas a uma experiência pessoal com Jesus Cristo, que redescobrem sua
fé e sua Igreja, portanto, neste caso, de humilde reconhecimento desta
fragilidade, não devemos nos desanimar, ao contrário, sabemos o caminho
a percorrer que é o de abertura a efusão do Espírito, com exercício dos
carismas, uso da Palavra de Deus, oração de louvor e daqueles elementos
considerados fundamentais para a boa saúde dos Grupos de Oração.
4. Quais são as metas do Conselho para os próximos anos?
Temos que dar continuidade a uma série de projetos que estão em
andamento. Mas cresce em nós a consciência de que nosso movimento tem a
missão de contribuir significativamente para que a Cultura de
Pentecostes seja implantada neste mundo.
Em janeiro do ano que vem, teremos o Fórum Carismático, com lideranças
de todo o Brasil e de outros países, para avaliarmos a atual realidade
da RCC e discernirmos para onde desejamos caminhar. Esperamos, com esse
modo de trabalho, conseguir elementos para um amplo planejamento
estratégico, com metas de curto, médio e longo prazo e, assim, darmos
passos que irão nos preparar para o aniversário de 50 anos da RCC, que
acontecerá em 2017. Este Encontro será um momento privilegiado de
escuta e discernimento, dali sairão os principais direcionamentos para
os próximos anos.
5. O que você tem a dizer às pessoas que hoje formam a Família Carismática.
Jesus Cristo é o Senhor de tudo que há! Ele prometeu-nos que o Espírito
Santo nos seria enviado e assim se cumpriu, nos deu a maior e mais
importante missão que alguém pode receber, ou seja: “ide e anuncia o
Evangelho!”.
Esta ordem precisa ser cumprida até que Jesus volte, conforme professa
nossa fé. A Renovação carismática tem se inspirado nos passos da Igreja
que se formou em Pentecostes e daqueles que ao longo da história se
dispuseram a obedecer ao Senhor.
Mais recentemente, temos o exemplo da Beata Helena Guerra (“Apostola do
Espírito Santo”) e de tantos irmãos e irmãs que, nesse tempo de
existência da RCC, regaram com suor e lágrimas o solo onde desejamos
semear o que hoje temos denominado cultura de Pentecostes.
Você e eu pertencemos a Renovação Carismática, movimento que tanto
amamos, não tenhamos medo, obedeçamos a Deus, confiemos em suas
promessas!
Que nossa postura seja a de profetas, de Igreja Militante, em tempos que exigem audácia e coragem!
Como família, somos irmãos e irmãs, nossas diferenças não podem nos
separar. Sejamos unidos no Senhor, oremos e nos dediquemos cada vez
mais em estar com ele, ai esta nossa força!
Que o Senhor nos conduza e que Maria interceda sempre por cada um de nós!
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