BELO HORIZONTE, sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Os jovens estão clamando por uma atenção mais adequada, no contexto de dizimação precoce em que vivem, e de perda do sentido da vida.
Quem chama a atenção sobre isso é o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em artigo enviado a Zenit hoje. Dom Walmor afirma que a juventude passou por complexas e radicais mudanças nestas últimas três décadas. Uma virada antropológico-cultural, política e religiosa de incidências incalculáveis e de problemas gravíssimos, que estão desafiando o pensamento e a gerência de governos, de igrejas, de instituições e de toda a sociedade. Os jovens estão clamando por uma atenção mais adequada e uma coragem audaciosa e inteligente no enfrentamento deste desafio, que guarda no seu bojo o absurdo da dizimação das juventudes pela violência, pela dependência química e pela falta de sentido autêntico para viver a vida, afirma o arcebispo. Segundo Dom Walmor, os desdobramentos sócio-antropológicos e culturais têm levado a situação dos jovens a patamares preocupantes. Não se pode deixar de avaliar permanentemente a complexidade das juventudes como vítimas de uma dizimação precoce, que deixa um passivo terrível para o futuro da sociedade. Apesar das indiferenças, dificuldades e interesses que estreitam sua capacidade dinamizadora, os jovens continuam a ser uma enorme força renovadora, reconhece. Dom Walmor considera que é muito pouco o que se tem feito pela juventude, diante de um quadro desolador, comprovado por estatísticas de mortes causadas por todos os tipos de violências. O arcebispo recorda que a Conferência de Aparecida dá destaque a uma opção preferencial pelos jovens, buscando uma atuação mais determinante para reverter as feições graves de sua realidade. A exclusão dos jovens, vítimas das sequelas da pobreza, é uma questão séria da socialização, cuja transmissão de valores já não acontece primariamente nas instituições tradicionais, mas em ambientes com forte carga de alienação. Não menos preocupante é a permeabilidade da juventude a novas formas de expressões culturais, produto da globalização, afetando sua identidade pessoal e cultural. As crises familiares têm acarretado profundas carências afetivas e sérios conflitos emocionais, afirma o arcebispo. Dom Walmor considera que é preciso reverter a educação de baixa qualidade, os enfoques antropológicos reducionistas, sua ausência das discussões e das políticas públicas, os abusos na comunicação virtual. Assinala ainda o grave problema da dependência química. O arcebispo de Belo Horizonte convida a pensar o quanto é necessário conduzir as novas gerações a experiências mais fortes e radicais do valor da vida e do amor. Os jovens devem ser uma opção de todos, destaca.

















